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22 de jul. de 2024 · 4 min de leitura

O Pivô do Google: Chrome Não Eliminará Cookies de Terceiros — Por Padrão

Em julho de 2024, o Google recuou de sua promessa de eliminar cookies de terceiros e agora oferece ao usuário a escolha. O impacto: identidade digital permanece fragmentada, consentimento segue sendo crítico, e o futuro do adtech continua incerto.

O Anúncio de Julho: Uma Mudança de Curso Significativa

Em 23 de julho de 2024, o Google comunicou oficialmente sua mudança de estratégia em relação aos cookies de terceiros no Chrome. A empresa que havia prometido eliminar esses identificadores por padrão até meados de 2024 — e depois adiado a data para o segundo semestre do mesmo ano — recuou completamente. A nova abordagem oferece aos usuários do navegador a capacidade de escolher se desejam ou não continuar permitindo cookies de terceiros, em vez de bloqueá-los automaticamente para todos.

O Que Mudou na Prática

Essa reversão significa que, por enquanto, o rastreamento baseado em cookies de terceiros continuará funcionando normalmente na web para a maioria dos usuários. O Google abrirá uma janela de diálogo ao navegador, permitindo que cada usuário tome sua própria decisão, semelhante aos modelos de consentimento já implementados sob GDPR e LGPD. Para publisheres e adtechs, a implicação imediata é que não há necessidade urgente de migração completa para alternativas (como FLoC ou Topics API) — mas o cenário de incerteza persiste.

A empresa justificou a mudança citando a complexidade de encontrar uma solução única que satisfizesse reguladores, usuários e o setor publicitário simultaneamente. O Privacy Sandbox do Google — seu projeto de longo prazo para desenvolver tecnologias que reduzam o rastreamento sem destruir completamente a publicidade direcionada — permanece em desenvolvimento, mas sem um cronograma claro para substituição completa dos cookies.

Ceticismo do Mercado e Realidade Regulatória

O setor recebeu o anúncio com uma mistura de alívio tático e dúvida estratégica. Agências publicitárias e plataformas de adtech temiam o colapso da rentabilidade sem cookies de terceiros. No entanto, reguladores e defensores de privacidade criticaram a mudança como uma concessão às pressões comerciais — particularmente considerando que o Google colhe benefícios imensos de seus próprios cookies e dados first-party através da publicidade no Search e YouTube.

Europa, sob GDPR, e Brasil, sob LGPD, já exigem consentimento explícito, tornando o modelo de Google menos disruptivo nesses mercados. Ainda assim, a decisão reflete a realidade incômoda do adtech: não existe solução sem trade-offs. Eliminar cookies prejudica publicidade direcionada e receita; mantê-los sem consentimento viola privacidade; oferecer escolha fragmenta a audiência e dilui o valor dos dados.

Por Que First-Party e Consentimento Seguem Sendo o Caminho

O pivô do Google não muda uma verdade fundamental: dados first-party — aqueles coletados diretamente do relacionamento entre marca e usuário — permanecem como o ativo mais valioso e defensável do adtech. Empresas que construíram relacionamentos diretos com consumidores, capturaram permissão clara e investiram em CRM e CDP não sofrem o mesmo risco existencial que dependem de rastreamento de terceiros anônimo.

Consentimento robusto, portanto, não é apenas um requisito regulatório; é um fundamento comercial. Marcas e publisheres que continuarem investindo em estratégias de primeira camada — newsletters, programas de fidelização, dados contextuais — estarão melhor posicionadas independentemente de como o navegador evolua. O futuro do adtech, nesse cenário estendido, não dependerá de nenhuma tecnologia mágica do Google, mas de relacionamentos autênticos construídos sobre transparência.

Conteúdo editorial original da PulseDSP, com análise própria sobre eventos públicos do setor. As fontes citadas são de terceiros; marcas e links pertencem aos respectivos donos.

Jul 22, 2024 · 4 min read

Google's Strategic Pivot: Chrome Will Not Deprecate Third-Party Cookies by Default

In July 2024, Google retreated from its promise to phase out third-party cookies and now offers users a choice. The impact: digital identity remains fragmented, consent stays critical, and adtech's future remains uncertain.

The July Announcement: A Significant Course Correction

On July 23, 2024, Google officially communicated its strategic reversal on third-party cookies in Chrome. The company that had promised to phase out these identifiers by mid-2024—and later postponed the date to the second half of the same year—pulled back entirely. The new approach offers Chrome browser users the ability to choose whether they want to continue allowing third-party cookies, rather than blocking them automatically for everyone.

What Changed in Practice

This reversal means that, for now, third-party cookie-based tracking will continue functioning normally across the web for most users. Google will open a dialog window in the browser, allowing each user to make their own decision, similar to consent models already implemented under GDPR and LGPD. For publishers and adtechs, the immediate implication is that there is no urgent need for complete migration to alternatives like FLoC or Topics API—but the scenario of uncertainty persists.

The company justified the change by citing the complexity of finding a single solution that would satisfy regulators, users, and the advertising industry simultaneously. Google's Privacy Sandbox—its long-term project to develop technologies that reduce tracking without completely destroying targeted advertising—remains in development, but without a clear timeline for complete cookie replacement.

Market Skepticism and Regulatory Reality

The industry received the announcement with a mix of tactical relief and strategic doubt. Advertising agencies and adtech platforms feared revenue collapse without third-party cookies. However, regulators and privacy advocates criticized the move as a concession to commercial pressures—particularly considering that Google itself reaps immense benefits from its own cookies and first-party data through Search and YouTube advertising.

Europe, under GDPR, and Brazil, under LGPD, already require explicit consent, making Google's model less disruptive in these markets. Still, the decision reflects an uncomfortable reality in adtech: there is no solution without trade-offs. Eliminating cookies harms targeted advertising and revenue; maintaining them without consent violates privacy; offering choice fragments the audience and dilutes data value.

Why First-Party and Consent Remain the Path Forward

Google's pivot does not change a fundamental truth: first-party data—collected directly from the relationship between brand and user—remains the most valuable and defensible asset in adtech. Companies that have built direct relationships with consumers, captured clear permission, and invested in CRM and CDP do not face the same existential risk as those relying on anonymous third-party tracking.

Robust consent, therefore, is not merely a regulatory requirement; it is a commercial foundation. Brands and publishers that continue investing in first-party strategies—newsletters, loyalty programs, contextual data—will be better positioned regardless of how the browser evolves. The future of adtech, in this extended scenario, will not depend on any magical technology from Google, but on authentic relationships built on transparency.

Original PulseDSP editorial content with our own analysis of public industry events. Cited sources are third-party; brands and links belong to their respective owners.

22 de jul. de 2024 · 4 min de lectura

El Giro Estratégico de Google: Chrome No Eliminará Las Cookies de Terceros Por Defecto

En julio de 2024, Google se echó atrás de su promesa de eliminar cookies de terceros y ahora ofrece al usuario una opción. El impacto: la identidad digital sigue fragmentada, el consentimiento sigue siendo crítico, y el futuro de adtech sigue siendo incierto.

El Anuncio de Julio: Un Cambio de Rumbo Significativo

El 23 de julio de 2024, Google comunicó oficialmente su giro estratégico en relación con las cookies de terceros en Chrome. La empresa que había prometido eliminar estos identificadores por defecto antes de mediados de 2024—y posteriormente pospuso la fecha para el segundo semestre del mismo año—se echó completamente atrás. El nuevo enfoque ofrece a los usuarios del navegador Chrome la capacidad de elegir si desean continuar permitiendo cookies de terceros, en lugar de bloquearlas automáticamente para todos.

¿Qué Cambió en la Práctica?

Esta reversión significa que, por ahora, el seguimiento basado en cookies de terceros continuará funcionando normalmente en toda la web para la mayoría de los usuarios. Google abrirá una ventana de diálogo en el navegador, permitiendo que cada usuario tome su propia decisión, similar a los modelos de consentimiento ya implementados bajo GDPR y LGPD. Para editoriales y adtechs, la implicación inmediata es que no hay necesidad urgente de una migración completa a alternativas como FLoC o Topics API—pero el escenario de incertidumbre persiste.

La empresa justificó el cambio citando la complejidad de encontrar una única solución que satisficiera a reguladores, usuarios e industria publicitaria simultáneamente. Privacy Sandbox de Google—su proyecto a largo plazo para desarrollar tecnologías que reduzcan el rastreo sin destruir completamente la publicidad dirigida—sigue en desarrollo, pero sin un cronograma claro para reemplazo completo de cookies.

Escepticismo del Mercado y Realidad Regulatoria

La industria recibió el anuncio con una mezcla de alivio táctico y duda estratégica. Agencias publicitarias y plataformas de adtech temían el colapso de ingresos sin cookies de terceros. Sin embargo, reguladores y defensores de la privacidad criticaron el movimiento como una concesión a presiones comerciales—particularmente considerando que el mismo Google recolecta beneficios inmensos de sus propias cookies y datos de primera parte a través de la publicidad en Search y YouTube.

Europa, bajo GDPR, y Brasil, bajo LGPD, ya requieren consentimiento explícito, lo que hace que el modelo de Google sea menos disruptivo en estos mercados. Sin embargo, la decisión refleja una realidad incómoda en adtech: no existe solución sin compensaciones. Eliminar cookies daña la publicidad dirigida e ingresos; mantenerlas sin consentimiento viola privacidad; ofrecer opción fragmenta la audiencia y diluye el valor de datos.

Por Qué Primera Parte y Consentimiento Siguen Siendo el Camino

El giro de Google no cambia una verdad fundamental: datos de primera parte—recopilados directamente de la relación entre marca y usuario—sigue siendo el activo más valioso y defendible en adtech. Las empresas que han construido relaciones directas con consumidores, capturaron permisos claros e invirtieron en CRM y CDP no enfrentan el mismo riesgo existencial que aquellas que dependen del rastreo anónimo de terceros.

El consentimiento robusto, por lo tanto, no es meramente un requisito regulatorio; es un fundamento comercial. Marcas y editoriales que continúen invirtiendo en estrategias de primera parte—boletines, programas de fidelización, datos contextuales—estarán mejor posicionadas independientemente de cómo evolucione el navegador. El futuro de adtech, en este escenario extendido, no dependerá de ninguna tecnología mágica de Google, sino de relaciones auténticas construidas sobre transparencia.

Contenido editorial original de PulseDSP con análisis propio sobre eventos públicos del sector. Las fuentes citadas son de terceros; marcas y enlaces pertenecen a sus respectivos dueños.