O Terceiro Movimento da Publicidade
Durante 2022 e no início de 2023, uma reconfiguração estrutural da indústria publicitária digital ganhou momentum. Enquanto a primeira onda foi o Google-search e a segunda foi o social-mobile (Facebook, Instagram), a terceira onda é definitivamente o varejo. Empresas como Amazon e Walmart compreenderam que seu maior ativo competitivo não era apenas vender produtos, mas intermediar a relação entre marcas e consumidores no ponto de compra.
As redes de mídia varejista (RMNs) exploram um diferencial inegável: dados de primeira parte capturados no momento da transação. Enquanto plataformas tradicionais de adtech dependiam de inferência comportamental e cookies de terceiros, redes varejistas conseguem mapear a jornada desde o clique do anúncio até a compra efetiva. Walmart Connect, lançado e expandido entre 2021-2022, e Amazon Ads, que acelerou exponencialmente no período, demostraram que este modelo de atribuição de loop fechado é altamente atraente para marcas de bens de consumo.
Dados, Atribuição e Novos Intermediários
O que diferencia RMNs de plataformas de mídia digital tradicionais é a capacidade de fechar o circuito: publicidade, conversão e validação. Uma marca anunciante consegue medir o ROI de campanha não através de proxies (viewability, click-through rates), mas através de lift de vendas real no ponto de venda. Este modelo reduz incerteza e justifica premiums de CPM significativos.
Além de Amazon e Walmart, varejistas como Target (Roundel), Kroger (Precision Marketing) e outras cadeias buscaram construir suas próprias plataformas. Este movimento dispersa a concentração publicitária: em vez de duopólio Google-Meta, emerge um ecossistema onde varejistas ganham poder de intermediação. Dados de transação transformam-se em produto publicitário, criando novos loops de receita para o varejo tradicional.
Implicações para o Mercado de Adtech
Em 2023, projeções indicavam crescimento das RMNs superior a 35% ao ano. Marcas de CPG realocar budget de canais tradicionais (search, display) para redes varejistas, buscando certeza de conversão. Isto pressionou plataformas convencionais e acelerou discussões sobre privacidade e regulação de dados.
A terceira onda não substitui search ou social, mas cria uma nova camada de intermediação. Seu impacto estrutural é semelhante ao da consolidação da web: assim como Google e Facebook se tornaram portas de entrada obrigatórias, varejistas transformam-se em mediadores inescapáveis entre marcas e consumidores. O ecossistema de adtech do pós-2023 será necessariamente mais descentralizado e orientado ao varejo.